A$$ b1tch
.Tens em ti, tudo o que é belo.
O Mundo É Um Moinho

enflorasse:

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Presta atenção, querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

—  Cartola

a-sede-dos-olhos:

um copo de sede pra um grito engasgado: 
você não precisa mais esconder suas solidões
quando quiser passear na rua 
ande de mãos dadas com elas

perceba que se arrastam no chão
têm as cores do asfalto
e, você ama a rua com seu teto infinito de céu
você ama andar às 6 da tarde na estação da Sé em contra fluxo 
perceber que se existe caminho seguro
não é o da volta pra casa


as fissuras do medo na rachadura do asfalto da pele ardem
e de repente a cidade te come
seu olhar
sua fome
seu ego
arranca unha por unha 
te joga no vão entre o trem e a plataforma 
e ninguém se importa , outros nem sequer veem

ainda há ventos nesse ar condicionado a ser artificial?
ainda existem pessoas?
carne ossos e sonhos 
pessoas, vê?

não precisa mais esconder suas solidões 
elas são grandes têm nomes de reis,
escritores, políticos
são edifícios, escadas, eleva(dores)

a cidade te engole
mastiga lento
só pra manter a boca ocupada
por prazer

te reduz às catracas e sobrenomes
com o que sonha quem dorme no chão?
a cidade tem fome
e não quer nem saber quem é você 

rio-doce:

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor,
na tristeza,
na dúvida,
no desejo.
Que te renovas todo o dia,
no amor,
na tristeza,
na dúvida,
no desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas,
até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

Cecília Meireles.:.

mentes-despertas:

A vida consome-me demasiado, as pessoas consomem-me demasiado. Não sei o que vai restar de mim.

arretimia poética

amor-com-vinho:

o poema pulsa nos olhos
dentro deles vagueia o pensamento
o corpo bombeia o desejo
se declara sem constrangimento
a palavra sufoca o peito
dentro dele o coração não se aguenta
acelera a vida, o tempo,
morre asséptico, sedento.

Elisa Bartlett

A batalha.

razcunhos:

Me aventuro sem medo
pela sua alma.
Enfrento batalhas épicas
contra meu Coração
que luta brava,
mas inutilmente,
ao tentar não
morrer de Paixão.

-William Kokubun

nobreza da alma 🎶  🎷 🎺

oxigenio-dapalavra:

gosto do samba
me mexe inteira
me faz toda bamba
meu jeito mulher
é feito uma droga
que escorre do seio
embebeda o sujeito
que tanto me quer
um bicho faceiro
amando outro bicho
portudoquélado
por mim, pelo Zé 
é puro instinto
é louco o menino
um ritmo mais lindo
sem maldade, com fé
relaxa, vai fundo
sem medo, sem rumo
é só a vida sorrindo
nos olhos, nos pés.

Elisa Bartlett

oxigenio-dapalavra:

se eu partir sem rastros
posso parecer ruim,
mas se ficar sem lastros
o que seria de mim?

Eu gosto do seu cinismo, da sua atmosfera indignada,
da sua mão por baixo da minha saia rodada,
eu me aproximo e te abraço
e você se desfaz.

Eu gosto do seu corpo magro, adaptado ao balcão,
inclinado, cansado, partido ao meio, quebrado,
eu olho fundo nos seus olhos
e você se desfaz.

Eu gosto do seu jeito rude, do seu desequilíbrio mental,
do seu semblante falido, como águas caindo, mudo, enfurecido,
eu falo bem baixinho o seu nome
e você se desfaz.

Eu gosto do seu sorriso alcoolizado, gratuito às putas da cidade,
do gosto de dromazepan depois das duas da manhã,
eu me deito ao seu lado
e você se desfaz.

Eu gosto da sua pele áspera e parda, das suas palavras
postas em pilhas e ditas em um ritmo esquizofrênico,
eu te amo na cama feito bicho
e você se desfaz,

tudo isso é pura poesia baby,

tudo isso tem um pouco de loucura baby,

tudo isso tem um pouco de amor.


Elisa Bartlett    (via oxigenio-dapalavra)


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